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Ver é Ser Visto - Ebook

Eduardo Lourenço

  • Edição Maio 2021
  • Colecção Obras de Eduardo Lourenço
  • ISBN 978-989-785-064-6
  • Páginas 288
  • Capa Brochada/capa mole
  • Dimensões 13,50x21,00
€9,99

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Antologia dos principais textos de um dos mais marcantes pensadores da cultura portuguesa do século XX falecido no final de 2020, Ver é ser Visto de Eduardo Lourenço reúne ensaios dedicados às principais questões e autores sobres os quais Eduardo Lourenço reflectiu. Com prefácio de José Tolentino Mendonça, a obra que agora a Gradiva lança (editora que tem vindo a reunir e a publicar toda a produção ensaística do autor) resulta de um trabalho de selecção de Guilherme d’Oliveira Martins, um profundo conhecedor da obra do ensaísta e um dos seus amigos mais próximos.

«Os textos que constituem a presente escolha procuram abranger momentos importantes do percurso do  autor, começando pela definição da atitude independente e heterodoxa e pela referência fundadora da relação com a Europa e com o diálogo que então nos faltava (1949), colocando essa reflexão na continuidade de quantos portugueses recusaram fechar‑se dentro das fronteiras, desde os renascentistas aos românticos, como Garrett e Herculano, até à complexa atitude de Antero de Quental e da sua geração, de quem se sentiu tão próximo sempre.

E nesta linha repensa Portugal (num contexto existencial), interpreta a conferência de Antero sobre as «Causas da Decadência», interroga Oliveira Martins, analisa criticamente o papel dos mitos, desconstrói a saudade e o sebastianismo, encontra‑‑se com Camões enquanto referência cultural, e mergulha numa reflexão sobre Fernando Pessoa. A existência mítica e os caminhos vários que abre foram uma preocupação permanente do ensaísta, em busca da diversidade, da porta aberta, do melting pot português, das aventuras e desventuras migrantes, do País entre a realidade e o sonho, da língua projectada universalmente. Mas o sentido crítico, sempre muito agudo, levaria à reflexão sobre a Europa desencantada.

E, por fim, nesta recolha é ainda possível encontrar a relação pessoalíssima do ensaísta com a poesia. Hölderlin diria «o que permanece / os poetas o fundam». A amizade com Carlos de Oliveira obriga a explicações sobre «o sentido e a forma da poesia neorrealista», a crítica e a metacrítica aprofundam a atitude criadora do autor, Camões é símbolo da nossa cultura e Antero revela a tensão essencial (bem presente neste ensaísmo) entre o pensamento e a utopia.

Eduardo Prado Coelho falou de uma nostalgia da unidade e do absoluto em Eduardo Lourenço. Num texto inédito de 1954, publicado pela revista Relâmpago (n.o 22, 4 ‑2008) («Ísis ou a Inteligência»), o ensaísta diz: «a mitologia é a verdade dispersa, túnica rasgada de um deus morto a quem só podemos ressuscitar juntando com paciência piedosa todos os pedaços. Essa tarefa é superior às nossas forças». É essa interrogação permanente sobre os mitos que nos revela uma das facetas mais originais do autor. Se bem virmos, é a desconstrução de mitos, como a saudade e o sebastianismo, ou como os excessos contraditórios sobre a nossa identidade, que permite avançar no sentido de uma ideia de emancipação individual ou colectiva.»