Sombras e Luzes do Império, de Edgar Valles, contém pequenas histórias, tendo como pano de fundo Goa, Angola e Portugal no período anterior ao 25 de Abril.
Nelas, o autor não é o herói nem a personagem central, é apenas o cronista que relata experiências vividas nas, então, colónias, mas também na chamada metrópole.
Estas são histórias verdadeiras e bem-humoradas, como a do desembarque do primeiro-ministro Nehru numa praia de Benguela, que ali teria chegado de submarino e era procurado por tal infração. Ou a do lutador antifascista que se julga vigiado por um casal de agentes da PIDE a partir de um automóvel, quando, afinal, estes apenas estavam a utilizar o veículo para outros fins, por sinal atentatórios da moral dominante. E, claro, não podiam faltar histórias sobre as peripécias da luta política contra o regime…
Uma obra que é um convite para refletir sobre estes relatos com a franqueza e profundidade que exigem, permitindo que as histórias contadas revelem não apenas a história de um tempo, mas também as ressonâncias que ecoam na nossa própria identidade.