«Os Portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo. A reserva e a modéstia que parecem constituir a nossa segunda natureza escondem na maioria de nós uma vontade de exibição que toca as raias da paranóia, exibição trágica, não aquela desinibida, que é característica de sociedades em que o abismo entre o que se é e o que se deve parecer não atinge o grau patológico que existe entre nós.»
Em O Labirinto da Saudade, Eduardo Lourenço mergulha nas profundezas do imaginário colectivo para decifrar as tensões, mitos e sonhos que moldaram Portugal ao longo dos séculos. Naquele que é considerado um dos mais marcantes ensaios sobre a identidade portuguesa, o autor convida-nos a atravessar o «labirinto» que ele próprio cartografa: um espaço onde convivem memória, melancolia, projecções de grandeza e inquietações modernas.
Com olhar crítico, sensibilidade literária e rara capacidade de interpretação cultural, Lourenço mostra como a saudade – mais do que sentimento – se tornou a chave simbólica para entender a forma como os Portugueses se pensam e se narram.
Provocador, lúcido e profundamente poético, este ensaio permanece actual, oferecendo ao leitor não apenas um retrato da identidade nacional, mas também uma reflexão sobre a condição humana e as imagens que criamos de nós mesmos.
Um convite a perder-se e a reencontrar-se no espelho enigmático de Portugal.