Cinquenta anos após o «retorno», persistem a controvérsia e as recriminações sobre a descolonização. O processo teria sido conduzido de forma «desastrosa», resultando em tragédia para os portugueses residentes nas antigas colónias, tal como para os africanos, arrastados para guerras civis prolongadas. Outra foi, porém, a avaliação do seu mais destacado interveniente, Melo Antunes, que a qualificou como a «descolonização desejável». Almeida Santos, por sua vez, considerou-a como a «possível, nas circunstâncias em que teve lugar».
Impunha-se uma avaliação objetiva. Para José Sá Carneiro, autor deste livro, qualquer juízo sobre um acontecimento histórico exige o conhecimento dos seus antecedentes.
Recorrendo a instrumentos da economia política ‒ a sua área de formação ‒ analisa a economia e a estrutura das sociedades coloniais, estuda casos comparáveis (a Argélia francesa e o Congo belga) e conclui: se os efeitos imediatos foram inevitavelmente traumáticos, a rápida e bem-sucedida reintegração dos «retornados» num país europeu, democrático e estável como Portugal, onde tinham as suas raízes mais profundas, impõe uma avaliação final positiva.