Poucos escritores exerceram uma influência tão profunda sobre a literatura como Lev Tolstói. Na última fase da sua vida, o grande romancista voltou-se para questões ainda mais ambiciosas: a moral, a religião, o sentido da existência e a arte.
Escrito ao longo de quinze anos, O Que É a Arte? é um dos ensaios mais controversos e visionários de Tolstói. O autor rejeita a ideia de que a arte exista apenas para produzir beleza ou prazer. A verdadeira arte, defende, deve comunicar sentimentos capazes de unir os humanos e contribuir para o aperfeiçoamento moral da comunidade. Estas são as bases da teoria que veio a ser conhecida como «teoria da expressão», assente numa definição funcionalista da arte.
O Que É a Arte? é uma obra intelectualmente provocadora, só ao alcance de alguém com a coragem, a honestidade e o prestígio intelectual de Tolstói. O seu carácter provocador e as suas reflexões não perderam actualidade, pois o debate permanece aceso: afinal, o que pode ser considerado arte? Quem rotula uma obra como tal? Com que fundamento?
Tolstói faz estas mesmas perguntas, e responde-lhes, relativamente aos artistas seus contemporâneos.