Em Numa Casca de Noz, Ian McEwan parte de uma premissa improvável e engenhosa: o narrador é um feto prestes a nascer, confinado ao ventre da mãe, Trudy, mas já dotado de uma consciência lúcida sobre o mundo. Desse observatório íntimo, escuta a mãe e o amante, Claude, conspirarem contra John, o seu pai. Impotente para intervir e condenado a interpretar vozes, ruídos e movimentos, o narrador transforma uma mera intriga criminal num vertiginoso exercício sobre o amor, o ciúme, a traição, a moral e a condição humana.
Inspirando-se livremente em Hamlet, McEwan constrói uma comédia negra de suspense, tão cerebral como mordaz. A audácia do «ponto de vista» narrativo é acompanhada por uma prosa de alta precisão e elegância, repleta de jogos de linguagem e observações sobre o mundo contemporâneo. Breve, concentrado e de incrível virtuosismo, o romance demostra como uma perspectiva minúscula pode conter um universo inteiro.