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A Casa do Ser

António Canteiro

  • Edição Setembro 2019
  • Colecção Fora de Colecção
  • ISBN 978-989-616-926-8
  • Páginas 40
  • Capa Brochada/capa mole
  • Dimensões 17x22
€11,00 €8,80
Indisponível

Prémio Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage, 2018

A P R E C I A Ç Ã O  D O  J Ú R I:

A Casa do Ser

«A obra presente e escolhida pelo júri, por unanimidade […] com várias cenas, muito cuidadas no rigor da escrita, numa síntese perfeita, suficiente para nos levar numa leitura apetecida em que abunda uma linguagem metafórica. Mas assim sendo, não precisa de se enredar no hermetismo de certa escrita que por aí abunda, preferindo um vocabulário feito de palavras simples carregadas de significado.

A energia que se desprende das palavras, que oferece a poesia como “casa do ser”, poderá ser um sinal de protecção da catástrofe, do sofrimento, da aspereza, marcas que nos chegam pela memória recente dos incêndios de verão de há dois anos, acontecimento nada alheio a estes versos que nos revelam a “noite do luto”, imagem intensa na sua redundância, quase demonstrando não haver hipérbole suficiente para dar conta do que foi o sentir que “o outono cheg[ava] mais cedo”.
Epopeia de esperança, depois de epopeia de sofrimento, bem poderia ser a linha trajetória que corre nestes poemas, em que se cruzam ainda mensagens de Herberto Helder, de Sophia de Mello Breyner, de Eugénio de Andrade.»


A Casa do Ser, um título bem sugestivo, denota a intenção do poeta em querer recentrar a atenção do leitor na necessidade de valorizar a pessoa, descobrindo-se como sendo a própria casa que habita e nele habita. Uma linguagem íntima e persuasiva que realça a importância do ser enquanto elemento essencial da vida, da condição humana.

[…] Ao longo dos quatro grupos que formam o livro, assumem preponderância as imagens da destruição pelo fogo:
«regaço onde o lume ateou por dentro»; «solidão do fogo»; «cinza inscrita nas folhas»; «se a chama corta a seiva/ resta o fumo»; «que fogo de noite se acende»; «uma folha da cor do fogo»; «ateias fogo ao remanso de um verso»; «a tinta no deserto do Fogo/ o lume que se faz cinza»; «vagueando no teu ventre/ de lume»; «deixei o fogo arder no corpo das letras»; «flor de fogo em prado-pranto»; «muro desfeito no sal do fogo/ mãos ardendo em pardas folhas»; «quando as árvores/ são fogo».

in acta do júri da XX edição do Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage, 2018

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