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Tambwe
A unha do leão
Colecção: Gradiva

Páginas: 336
Ano de edição: 2011
ISBN: 978-989-616-444-7
Capa: Brochado (capa mole)
14,7 €
7,35 €

Quantidade:
Sinopse
De Lisboa a Luanda, seguindo por Paris e por bases aéreas bem guardadas na Rússia e na África do Sul, é uma longa viagem sacudida por geografias contrastantes e pelos solavancos da descolonização e do fim da Guerra Fria. Tambwe – A Unha do Leão faz-se disso e de muito mais. É também o percurso interior de Eugénio, à procura da sua infância e da sua razão de ser numa Angola atormentada pela guerra.
 
Com uma escrita torrencial e opulenta, o autor descola volta e meia da realidade palpável, circunscrita pelo tempo e pelo espaço, e parte para um universo onírico e simbólico, verdadeiro paraíso perdido, porventura para sempre.
 
Romance de vida e de morte, só uma partitura de Brahms parece restar como energia redentora quando, na noite tropical, se abrem as portas da prisão de Luanda.
 

EXCERTO
 

«O rio subterrâneo parou, talvez apenas se tivesse silenciado. A luz que atravessava a abóbada de quartzo desapareceu, talvez não passasse de uma nuvem carregada de chuva a obscurecer o sol. Nada bulia, nada perturbava aquela secreta intimidade, a não ser uma impressionante sensação de poder. Sosseguei, sem medo do tribunal e dos seus juízes. Solene, o chefe Vapor falou em umbundo, apoiando-se no bordão nodoso, polido pelo uso, com as mãos descarnadas pela velhice. Os olhos pequeninos, onde espreitava a cegueira, faiscavam apesar disso. Parecia irritado, pois desferia, no chão, golpes furiosos com a vara de girassonde enquanto a boca desdentada soprava frases que lhe agitavam os pelos da somítica barba. Com a mesma pompa, o meu avô traduziu, o bigode ao sabor de ligeiro tremor do lábio sensual.

Hossi, vem aí uma guerra terrível!» - (p. 152)
 
Autor(es)
António Castro nasceu em Angola, no Bongo-Lépi, em 1951.

Entre 1969 e 1971 publica alguns contos no jornal ABC de Angola, é co-produtor do programa de rádio «Cosmos 11», estuda no Instituto Comercial de Luanda (ICL), co-edita a revista do ICL, funda com um conjunto de amigos um grupo de teatro e o movimento de jovens Modjove publica o livro de poemas Eu, a minha terra e a minha gente. Simpatizante do MPLA, entra, em 1974, para o Comité de Defesa do Prenda (Luanda) e publica o livro de poemas Canções Clandestinas da Revolta Latente.

Em 1975 faz parte dos quadros da Comissão Nacional do Plano. É ainda nomeado instrutor militar da Organização de Defesa Popular (ODP), fazendo parte da estrutura de comando de uma unidade de combatentes camponeses.

Como consequência do golpe de Estado de 27 de Maio de 1977, abandona o país. Em Estocolmo, ganha a vida a lavar loiça no restaurante Caravela e aprende artes gráficas num jornal pertencente à comunidade de refugiados políticos sul-americanos. Em Lisboa, adere à LCI/PSR, onde milita a tempo inteiro. Trabalha na cooperativa de artes gráficas daquela organização. Abandona a militância política em 1981.

A residir em Setúbal desde 1982, aí trabalha em várias empresas.
Nuno David nasceu em Angola. Engenheiro-técnico agrário de formação.

Expõe desde 1967. Na sua pintura, utiliza as mais diversas técnicas. É contudo na aguarela sobre papel que prefere exprimir-se. Até à data participou em 35 exposições colectivas e 15 individuais. A sua obra está representada em diversas colecções, institucionais e particulares, em Portugal e no estrangeiro. Destacam-se, entre outras,três obras da sua autoria no acervo de arte do Museu da Presidência da República, em Lisboa, com temática alusiva aos “Lusíadas”; as produções para a GDA-Gestão dos Direitos dos Artistas, CRL, com obras alusivas aos teatros nacionais e as ilustrações do romance A Especiaria de António Oliveira e Castro.