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O Mito dos Jesuítas II
Colecção: Fora de Colecção

Páginas: 464
Ano de edição: 2007
ISBN: 978-989-616-156-9
31,3 €
28,17 €

Quantidade:
Sinopse
Códigos secretos de conspiração, influência junto do poder político, práticas comerciais ousadas, direcção dos tribunais da Inquisição, assassínios de reis e príncipes, artes de vencer e dominar, cultura superior, manipulação das consciências, em especial as femininas, são alguns dos temas fortes da propaganda antijesuítica que fizeram da Companhia de Jesus uma das ordens mais fascinantes, mais misteriosas e mais temidas de sempre. O mito negro dos Jesuítas e do seu fabuloso projecto de dominação universal, a partir das Reduções do Paraguai e da educação dos espíritos, constituem uma das produções mais modeladoras da nossa História e da nossa cultura, que deixou marcas indeléveis em termos de mentalidade e da nossa forma de olhar o passado.

Há muito tempo que as culturas portuguesa e europeia esperavam uma obra que propusesse uma investigação e oferecesse uma proposta de compreensão global das graves controvérsias que fizeram dos Jesuítas a ordem da conspiração por excelência, muito à semelhança do que se propagandeou em relação aos Judeus e do que hoje se divulga sobre o Opus Dei. Os Jesuítas foram responsabilizados, particularmente desde o Marquês de Pombal e até à I República, pelo que de pior aconteceu em Portugal, imputando-se-lhes a responsabilidade pela decadência da ciência e da cultura, pelo atraso português em relação à Europa, pelos fracassos do império ultramarino e pelo obscurantismo e ignorância geral que impediam o país de progredir. Será tudo isto verdade?

Esta obra de José Eduardo Franco traça o percurso dessas longas controvérsias protagonizadas pelos mais relevantes políticos e intelectuais da História dos últimos cinco séculos e propõe uma explicação global para o fenómeno do antijesuítismo que ainda continua a conquistar adeptos nos nossos dias.

«José Eduardo Franco [...] irrompeu abruptamente na historiografia da cultura portuguesa em 1997 com a publicação de Vieira na Literatura Anti-Jesuítica. Séculos XVIII - XX [...]. Livro que subverte a visão cultural racionalista e iluminista dominante desde a publicação dos textos Relação Abreviada (1757), Dedução Cronológica e Analítica (1768) e Compêndio Histórico do Estado da Universidade de Coimbra (1771), orientados pela perspectiva histórica do Marquês de Pombal, prosseguida por Antero de Quental, nas Causas da Decadência dos Povos Peninsulares (1871), e pelos Ensaios de António Sérgio, Sílvio Lima e Hernâni Cidade. [...] JEF, não sendo jesuíta, inicia, 250 anos após a primeira expulsão de Portugal dos jesuítas, o processo de desculpabilização histórica da Companhia de Jesus, evidenciando, de um modo rigoroso e metodologicamente insuspeito, não comprometido ideologicamente com a antiga visão inaciana, um processo de cicatrização de uma das mais fundas chagas sangrentas da história de Portugal. Deste modo, o estatuto da intervenção historiográfica de JEF revela-se necessária para que o novo Portugal europeu vire definitivamente a página de uma historiografia empenhada, comprometida seja com a perspectiva metafísica da cultura portuguesa, cultivada entre a segunda metade do século XVI e os finais do século XVIII, seja com a perspectiva racionalista, positivista e jacobinamente anti-eclesiástica, dominante desde o constitucionalismo de 1820 e enfaticamente assumida como doutrina oficial ao longo da I República.»

Miguel Real
Jornal de Letras

Autor(es)
José Eduardo Franco (1969).

Historiador. Professor Catedrático Convidado da Universidade Aberto e Titular da CIDH - Cátedra FCT/Infante Dom Henrique de Estudos Insulares e da Globalização (Universidade Aberta/Polo do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa). Membro da Academia Portuguesa da História. Doutorou-se em “História e Civilizações” pela EHESS de Paris em Cultura pela Universidade de Aveiro, sendo mestre em História Moderna pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e mestre em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da mesma Universidade de Lisboa. Concluiu com sucesso a coordenação de vários projectos de investigação de grande fôlego, entre os quais os volumes do Dicionário Histórico das Ordens, a Obra Completa do Padre Manuel Antunes em 14 volumes e o projecto Arquivo Secreto do Vaticano editado em 3 volumes. Da sua vastíssima bibliografia destacam-se os estudos aprofundados sobre Vieira, os Jesuítas e o Marquês de Pombal. Dirigiu com Pedro Calafete o grande projecto luso-brasileiro chamado “Vieira Global” que publicou a Obra Completa do Padre António Vieira em 30 volumes e agora prepara um Dicionário do Padre António Vieira, assim como a tradução e edição da obra selecta deste autor em 20 línguas de grande circulação internacional. É director com Carlos Fiolhais do projecto de investigação e edição intitulado Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa, que está a ser editado pelo Círculo de Leitores em 30 volumes. Coordena ainda o projecto “Culturas em negativo” de que resultará a publicação de um Dicionário dos Antis e uma História da Cultura Portuguesa em Negativo. A matriz deste projecto, à semelhança de outros seus, já está a ser adaptada desenvolvida noutros países. Da sua vastíssima bibliografia destacam-se os seguintes livros: O Mito de Portugal, Lisboa, FMMVAD/Roma Editora, 2000, e O Mito dos Jesuítas em Portugal e no Brasil, Séculos XVI-XX, 2 Vols., Lisboa, Gradiva, 2006-2007; Dança dos Demónios: Intolerância em Portugal, coordenação em parceria com António Marujo, Lisboa, Círculo de Leitores/Temas e Debates, 2009; Brotar Educação, Lisboa, Roma Editora, 1999; Monita Secreta (Instruções Secretas dos Jesuítas). História de um manual conspiracionista (em co-autoria com Christine Vogel) Lisboa, Roma Editora, 2002; Influência de Joaquim de Flora em Portugal e na Europa. Com edição dos escritos de Natália Correia sobre a “Utopia da Idade Feminina do Espírito Santo” (em co-autoria com José Augusto Mourão), Lisboa, Roma Editora, 2004; O Padre António Vieira e as Mulheres: Uma visão barroca do universo feminino (em co-autoria com Isabel Morán Cabanas), Porto, Campo das Letras, 2008 Holodomor. A desconhecida tragédia ucraniana (1932-1933), coordenação em parceria com Beata Elzbieta Cieszynska, Lisboa, Grácio Editor, 2013; Portugal Tolerante. Um milénio de convivência no espaço português. Textos para o diálogo intercultural, coordenação em parceira com Paulo Mendes Pinto, Lisboa, Sinais de Fogo, 2014; Jesuítas, Construtores da Globalização, em coautoria com Carlos Fiolhais, Lisboa, CTT-Correios de Portugal, 2016. Tem ainda ensinado, como professor convidado e visitador em várias universidades a nível internacional, entre as quais, a Universidade de São Paulo, a Universidade de Paris Panteón-Assas, a Universidade de Chemnitz, a Universidade de Santiago de Compostela, a Universidade de Alcalá de Henares e a Universidade Federal de Sergipe. Foi-lhe atribuída, em 2015, a Medalha de Mérito Cultural do Estado Português, o mais importante galardão atribuído pelo Governo Português, como reconhecimento dos serviços prestados à cultura e à Ciência.